Em melhor momento da carreira, Damiris mostra confiança para os playoffs da WNBA e comenta sobre Seleção Brasileira e trajetória

Damiris teve temporada sólida pelo Minnesota Lynx (Foto: Adam Pantozzi/WNBA)
Damiris teve temporada sólida pelo Minnesota Lynx (Foto: Adam Pantozzi/WNBA)

A ala-pivô Damiris Dantas, do Minnesota Lynx, entra em quadra nesta quarta-feira em jogo decisivo pela primeira rodada dos playoffs da WNBA. Fora de casa, a franquia de Minneapolis enfrenta o Seattle Storm em jogo único valendo vaga na segunda fase, onde o vencedor enfrentará o Los Angeles Sparks. A única brasileira na liga estadunidense falou ao Basquete Todo Dia sobre pós-temporada, Seleção Brasileira, carreira e trajetória no esporte.

Com médias de 9.2 pontos, 3.2 assistências e 4.5 rebotes por partida (26 disputadas), a ala-pivô de 1,92m acredita estar no melhor momento da carreira aos 27 anos. Titular do Lynx, Damiris confia em uma boa caminhada na pós-temporada da WNBA.

“Esta será minha segunda participação nos playoffs da WNBA. Estamos em boa fase, com muito foco e muita confiança também. Vamos buscar coisas maiores. Acredito que está sendo minha melhor temporada na WNBA. Tenho mais um ano de contrato e pretendo seguir. Como agora é playoff, quero focar nisso e deixar as outras coisas para depois. Assim que acabar nossa participação, pretendo descansar.”.

Damiris é uma das jogadores pré-convocadas da Seleção Brasileira para a Copa América, entre 22 e 29 de setembro, que dá oito vagas ao Pré-Olímpico das Américas, em novembro. Pela temporada da WNBA, a presença da ala-pivô nos dois casos é incerta e está sendo negociada. Ela elogiou o trabalho do técnico José Neto e de toda comissão brasileira.

“Estou gostando muito do trabalho do Neto. Ele é um grande profissional. O título do Pan-Americano de Lima veio em uma ótima hora, estávamos precisando dar um ‘start’. Temos que viver esse momento e comemorar sim. Sabemos que temos muito a melhorar, e vamos buscar isso. Estamos no caminho certo”.

Damiris em ação nos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro (Divulgação/CBB)
Damiris em ação nos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro (Divulgação/CBB)

Antes de se firmar na WNBA e de ser peça fundamental para a Seleção Brasileira, Damiris viveu com certas inconstâncias. A ala-pivô, natural do município paulista de Ferraz de Vasconcelos, contou que teve a ex-jogadora Janeth como tutora.

“Comecei a jogar basquete na escola por insistência da Telma, minha professora de educação física. Logo após os Jogos Escolares, minha amiga Selma me passou o contato do Instituto Janeth, em Santo André. Passei, lá me federei e foi onde começou a caminhada no basquete. A Janeth é um anjo que Deus colocou no meu caminho. Ela me ensinou e continua ensinando até hoje. Além de ser técnica, sempre me deu conselhos e ensinamentos que levo para a vida”.

Uma das maiores jogadoras da história do Brasil, Janeth mantém um instituto de formação e acolhimento de crianças, adolescentes e jovens (Foto: Divulgação/Instituto Janeth)
Uma das maiores jogadoras da história do Brasil, Janeth mantém um instituto de formação e acolhimento de crianças, adolescentes e jovens (Foto: Divulgação/Instituto Janeth)

Depois disso, Damiris foi vista e contratada pelo Jundiaí, onde estreou profissionalmente em 2010, frequentando, inclusive, a Seleção Brasileira principal. No ano seguinte, ela foi contratada pelo Celta de Vigo, da Espanha, onde ficou por uma temporada. Em 2012, a ala-pivô foi selecionada na 12ª escolha do Draft da WNBA, pelo Minnesota Lynx. A atual camisa 92 do Lynx contou como se deu a seleção, que só foi concretizada em 2014.

“Minhas empresárias fizeram uma surpresa e colocaram meu nome no Draft sem eu saber. Um dia meu telefone começou a tocar loucamente e comecei a receber muitas mensagens. Sem entender nada, liguei para elas e descobri que tinha sido draftada. Esperei, atuei por alguns anos (2012, 2013 e 2014) e três equipes (Ourinhos, Maranhão e Americana) no Brasil. Essa escolha de esperar foi por não me sentir preparada. Eu e o pessoal do Lynx entramos em um acordo de aguardar até 2014, e acho que fiz a coisa certa. Não tinha contrato, e só assinei quando cheguei oficialmente na WNBA, em 2014”.

Damirs atuou no Lynx em 2014 (30 jogos) e 2015 (16 partidas). Na metade da temporada 2015, ela foi trocada para o Atlanta Dream, onde estevem em quadra em 16 oportunidades (ambos os anos ela alternou a WNBA com a LBF, atuando por Americana, que foi incorporado ao Corinthians na temporada 2015/2016). Em 2016, ela abriu mão de atuar na WNBA para se preparar para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

Damiris alternou início de caminhada na WNBA com passagens pelo Brasil (Foto: Divulgação/CBB)
Damiris alternou início de caminhada na WNBA com passagens pelo Brasil (Foto: Divulgação/LBF)

“Estava passando por alguns problemas pessoais e queria me preparar para jogar os Jogos Olímpicos do Rio com a Seleção Brasileira. Foi uma decisão minha”. Naquela temporada, novamente pelo Corinthians (então Americana), Damiris foi campeã da LBF. Depois do fim da temporada brasileira, ela retornou ao Atlanta, onde atuou em 34 jogos.

Depois do fim da temporada 2017 da WNBA, Damiris embarcou para uma temporada na Coreia do Sul, para atuar no KB Stars. Ela explicou o movimento, até então inédito na carreira.

“Surgiu a oportunidade de colocar meu nome no Draft da Coreia do Sul. No começo, fiquei com medo, mas fui mesmo assim. Foi uma experiência ótima. O basquete feminino está vivendo um ótimo momento na Coreia, a liga é estruturada e as estrangeiras são bem tratadas. Nesse ano, foram 89 nomes na lista, e eu fui a primeira”. Depois da temporada 2018 da WNBA, novamente no Atlanta (jogou apenas 18 jogos devido a uma cirurgia no tornozelo), ela atuou em 2018/2019 pelo OK Savings Bank, também da Coreia do Sul.

Damiris foi recontratada pelo Lynx neste ano e tem contrato até o fim da temporada 2020. A ala-pivô refletiu sobre o curto calendário do basquete feminino estadunidense, o que força as jogadoras a atuarem em mais de uma equipe por ano. “Graças a Deus sempre tive essa garantia de retorno da WNBA. Se tivéssemos uma liga mais longa, não sei se jogaria em outros países”.

Nos últimos dois períodos de offseason da WNBA, Damiris atuou na Coreia do Sul (Foto: Divulgação/CBB)
Nos últimos dois períodos de offseason da WNBA, Damiris atuou na Coreia do Sul (Foto: Divulgação/CBB)

Por fim, Damiris deixou um recado às meninas e mulheres que sonham em jogar basquete profissionalmente. “Trabalho, trabalho e trabalho. E aconselho a não desistirem dos sonhos. Muita gente duvidou, questionou e tentou me desanimar, mas eu sempre tive muita força de vontade e nunca deixei de sonhar e trabalhar. Continuo assim até hoje, e acho que é assim que tem que ser”.

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