Alex lamenta desatenção da Seleção Brasileira no Mundial e revela convite de Leandrinho para o Minas e ‘lobby’ por Anderson Varejão

Alex Garcia é um dos principais nomes do basquete nacional da história. Depois de 15 títulos pelas seis equipes que passou e 19 anos de Seleção Brasileira, tendo disputado 36 torneios representando o país, o “Brabo” chega ao Minas para a disputa da temporada 2019/2020. O experiente ala, de 39 anos, conversou com o Basquete Todo Dia e falou sobre diversos assuntos, entre eles a campanha na Copa do Mundo da China, a chegada ao clube da Rua da Bahia e também pelo desejo de contar com o pivô, colega e amigo de seleção, Anderson Varejão.

No Mundial da China, que começou em agosto e teve fim no último domingo, o Brasil terminou em 13º e garantiu vaga no Pré-Olímpico, que acontecerá em julho de 2020, um mês antes dos Jogos Olímpicos de Tóquio, no Japão. Depois de uma primeira fase impecável, com três vitórias em três jogos (incluindo um triunfo diante da Grécia, do atual MVP da NBA, Giannis Antetokounmpo), a Seleção Brasileira perdeu os dois duelos da segunda fase, para República Tcheca e Estados Unidos, e deu adeus ao torneio. Para Alex, a desatenção foi o principal erro da equipe.

“Para o jogo contra República Tcheca, nós scouteamos bastante, sabíamos o que a equipe deles fazia, principalmente sem a bola, e o erro mortal nosso foi justamente esse. De na hora que o jogador passasse a bola a gente seguir a bola e esquecer o jogador. Esse foi o erro mortal nosso, onde ganharam confiança principalmente no começo do jogo, abriram vantagem, e depois complicaram para a gente. Esse era o jogo para a gente classificar e brigar entre os oito”.

Derrota para a República Tcheca custou caro ao Brasil (Foto: Divulgação/Minas)
Derrota para a República Tcheca custou caro ao Brasil (Foto: Divulgação/Fiba)

A derrota por 93 a 74 para os europeus deixou o Brasil em situação delicada no torneio, já que um triunfo antes os Estados Unidos se fez obrigatório. Contra os norte-americanos, a seleção foi derrotada por 89 a 73 e se despediu do Mundial.

Depois da Copa do Mundo, Alex retornou ao Brasil e se apresentou ao Minas. Ele chega a Belo Horizonte depois de cinco anos no Bauru, onde se tornou ídolo. O ala revela que o convite para atuar no clube da Rua da Bahia partiu do experiente ala-armador Leandrinho, de 36 anos, companheiro de Seleção Brasileira e único remanescente da equipe minas-tenista da temporada 2018/2019.

“O convite do Minas apareceu pelo Leandro. A gente está junto na seleção há uns 20 anos, sendo parceiros de quarto de seleção, e a gente nunca teve a oportunidade de jogar junto em um clube. Ele atuou aqui temporada passada, e quando acabou a gente vinha conversando bastante e ele disse sobre essa possibilidade, de jogarmos juntos no Minas. Falou para a diretoria do Minas, recebi o contato da diretoria, a gente teve uma conversa inicial e acabou dando certo. No Bauru eu estava há cinco anos, já estava no momento de dar uma mudada, principalmente para eu me manter jogando em alto nível”.

Alex vai para a 20ª temporada como profissional (Foto: Matheus Muratori/Basquete Todo Dia)
Alex vai para a 20ª temporada como profissional (Foto: Matheus Muratori/Basquete Todo Dia)

O Minas, do técnico Leo Costa, tem nove jogadores confirmados na equipe para a temporada 2019/2020: Davi Rossetto, Farad Cobb, Leandrinho, Alex, Gui Deodato, Alexei Patrício, Tyrone Curnell, Devon Scott e Shilton. Apesar disso, o clube segue em busca de um investidor para tentar contratar o experiente pivô Anderson Varejão, de 36 anos, colega de Alex e Leandrinho na seleção.

Alex revelou que durante o período na China conversou com Varejão sobre uma possível transferência para o clube da Rua da Bahia, onde reeditariam o “trio de ferro”, junto de Leandrinho. Na Seleção Brasileira, os três atletas atuam juntos desde 2002.

“A gente (Leandrinho e Alex) falou com ele (Anderson Varejão). Falamos ‘olha, se tiver possibilidade, vem. Porque com você a gente fica gabaritado demais em busca do título’. Não que com o grupo atual já não esteja, mas com uma peça importante como o Varejão acho que facilita muito. Ele que tem que decidir, isso aí é o atleta que tem que decidir”. Atualmente, Varejão está sem clube e livre no mercado.

Varejão, Leandrinho e Alex atuam juntos na seleção desde 2002 (Foto: Divulgação/Fiba)
Varejão, Leandrinho e Alex atuam juntos na seleção desde 2002 (Foto: Divulgação/Fiba)

Leia a íntegra da entrevista com Alex:

Críticas à seleção antes do Mundial

“A gente já está calejado, acostumado. Todo ano é a mesma conversa antes de começar uma competição, o pessoal acha que só pelos jogadores terem uma certa idade eles não têm condições de jogarem. Tem jogadores e jogadores. No meu caso, tenho que certeza que para Leandro e Anderson também, a idade nunca atrapalhou nada. A gente faz tudo que a molecada faz, e a molecada não faz o que a gente faz. Mas muitos que falam não entendem de basquete, não sabem o que é. Não vivem, não acompanham basquete, simplesmente têm um canal e fala o que quer”.

Campanha no Mundial

“A expectativa era boa, a gente pegou um grupo muito forte. Nova Zelândia com um time muito desprendido, muito arremesso de três pontos. Quando você joga com uma equipe dessa é muito difícil de ser marcado, desde o armador ao pivô cinco eram chutadores de três, isso dificulta bastante. Se está em um dia que caem as bolas, como foi o primeiro tempo, complica bastante. Mas conseguimos apertar a defesa no segundo tempo, fazer um bom jogo e vencer”.

“O jogo contra a Grécia era o mais esperado dessa primeira fase, que poderia dar um algo a mais na nossa sequência. Tivemos um início ruim, conseguimos recuperar e alcançar uma boa vitória. Sobre a marcação no Giannis (Antetokounmpo), aí eu volto nos corneteiros de plantão, no pessoal que não entende de basquete, que acham que é porque o jogador foi o MVP merecido da NBA que na Fiba vai ser a mesma coisa. É basquete diferente. As regras são diferentes, é totalmente diferente jogar na NBA e na Fiba. Jogar na NBA é muito mais fácil do que na Fiba. Não só eu, mas o Brasil inteiro, a seleção inteira, todos que estiveram em quadra neste momento, que jogaram, conseguiram fazer uma boa defesa em cima dele e nos outros jogadores”.

“Montenegro já foi um jogo mais que provavelmente não precisaria de se empenhar muito e era mais nossa concentração, pois Montenegro já estava entregue, já não tinha mais pretensão nenhuma, e conseguimos uma boa vitória”.

“Para o jogo contra República Tcheca, nós scouteamos bastante, sabíamos o que a equipe deles fazia, principalmente sem a bola, e o erro mortal nosso foi justamente esse. De na hora que o jogador passasse a bola a gente seguir a bola e esquecer o jogador. Esse foi o erro mortal nosso, onde ganharam confiança principalmente no começo do jogo, abriram vantagem, e depois complicaram para a gente. Esse era o jogo para a gente classificar e brigar entre os oito. Consequentemente a gente ia pegar uma Austrália. A gente já jogou algumas vezes com eles, o nosso jogo encaixa muito bem, e poderíamos ali dar uma cartada para chegar entre os quatro. Então, o que fica é o seguinte: a gente tinha uma boa seleção, uma mescla de jovens com jogadores mais experientes, e a desatenção acabou prejudicando nesse Mundial, tirando a gente de uma boa colocação, uma briga por medalha”.

Vitória contra a Grécia, de Antetokounmpo, marcou a campanha brasileira no Mundial da China (Foto: Divulgação/Fiba)
Vitória contra a Grécia, de Antetokounmpo, marcou a campanha brasileira no Mundial da China (Foto: Divulgação/Fiba)

Convite do Minas

“O convite do Minas apareceu pelo Leandro. A gente está junto na seleção há uns 20 anos, sendo parceiros de quarto de seleção, e a gente nunca teve a oportunidade de jogar junto em um clube. Ele atuou aqui temporada passada, e quando acabou a gente vinha conversando bastante e ele disse sobre essa possibilidade, de jogarmos juntos no Minas. O Minas é um clube que todo atleta gosta. Quem vem não quer sair, e todos que nunca jogaram queriam ter essa oportunidade. Tem esse papo no meio, pois sabemos do que o clube disponibiliza para o atleta, para a família de todos, isso é fundamental. E surgiu a partir daí. O Leandro fez o convite para mim, falou para a diretoria do Minas, recebi o contato da diretoria, a gente teve uma conversa inicial e acabou dando certo. No Bauru eu estava há cinco anos, já estava no momento de dar uma mudada, principalmente para eu me manter jogando em alto nível. Depois de um certo tempo, onde a gente ganhou tudo, você acaba ficando cômodo no lugar, e isso é ruim para a gente se manter em alto nível. O desafio aqui é bom, foi montado um grupo muito bom, esperamos que dê liga mesmo para a gente fazer um grande campeonato, tentar chegar às finais e buscar o título”.

Leo Costa no comando

“O Minas acertou na escolha. Porque é um técnico estudioso, que está há um tempo sem trabalhar, então veio com muita vontade de trabalhar. E isso aí você vê durante os treinos, a vontade que ele tem. Isso é bom. É um técnico novo, que gosta do que faz, e vai ajudar muito a gente, assim como vamos ajudar muito ele em quadra. Vai ser interessante, é uma química boa para a gente poder se tornar vitorioso”.

Alex confia no jovem treinador Leo Costa, de 37 anos (Foto: Matheus Muratori/Basquete Todo Dia)
Alex confia no jovem treinador Leo Costa, de 37 anos (Foto: Matheus Muratori/Basquete Todo Dia)

Elenco do Minas para 2019/2020

“Jogadores qualificados foram contratados. Lógico que só ter jogadores qualificados não adianta, a gente precisa fazer dar liga esse grupo, fazer todo mundo pensar do mesmo jeito para a gente se tornar um grupo vencedor. Isso aí ainda temos um tempinho, estou acompanhando os treinos e vejo que estão treinando duro, mas temos que estar todo mundo junto, na hora que fechar mesmo o grupo, para a gente ver como vai se dar essa química entre os jogadores para ver se dá sucesso”.

“Lobby” com Leandrinho por Varejão no Minas

“A gente (Alex e Leandrinho) falou com ele (Anderson Varejão). Falamos ‘olha, se tiver possibilidade vem, porque com você a gente fica gabaritado demais em busca do título’. Não que com o grupo atual já não esteja, mas com uma peça importante como o Varejão acho que facilita muito. Ele que tem que decidir, isso aí é o atleta que tem que decidir. Saber o que ele quer mesmo, se quer jogar mais, se quer parar, mas pelo que ele falou ele tem a intenção de jogar. Tem algumas coisas familiares que ele está ponderando para ver se dá certo e ele decidir a vida”.

Minas Tênis Clube e Belo Horizonte

“Trouxe minha família para fazer a ambientação da cidade. Se minha família está gostando ou não, eu não sei, mas entra no Minas 14h e sai às 22h. Minha família está gostando bastante, a estrutura que o Minas tem, não só para o atleta mas para a família, é o único lugar no Brasil que tem. Agradecemos essa disponibilidade que eles têm, com a família principalmente, porque se a família não está bem o atleta não consegue render em quadra. Minha esposa e minhas filhas estão adorando, uma filha já está fazendo escolinha de vôlei. Mas a cidade também é muito boa, a gente já está ambientado, já gosta bastante. Tudo está caminhando para uma temporada muito boa, e a gente espera que essa felicidade nossa fora de quadra possa tornar dentro de quadra também”.

Alex está em busca do sétimo título brasileiro, contando Campeonato Brasileiro e NBB (Foto: Matheus Muratori/Basquete Todo Dia)
Alex está em busca do sétimo título brasileiro (Foto: Matheus Muratori/Basquete Todo Dia)

Jogo de abertura do NBB contra o atual campeão Flamengo

“É bom. Se coloca esse jogo é porque tanto o pessoal da liga quanto todo mundo estão mostrando que o time do Minas é competitivo e pode chegar. É bom isso. Vejo com bons olhos, é legal, e precisamos entrosar o time ainda, criar corpo como um time, ter o mesmo pensamento, para fazermos uma avaliação melhor do nosso grupo e saber se vai brigar ou não. Porque se pegar peça por peça, qualificado a gente é. Mas precisa fazer essa engrenagem funcionar, e só vai funcionar com o tempo. Às vezes o primeiro jogo não possa funcionar, ou pode, e vai depender desse período que temos, desses treinos, amistosos que teremos antes, para a gente dar liga e nos tornarmos um bom grupo”.

Até quando teremos Alex em quadra?

“Eu vou jogar até quando eu quiser. A idade nunca foi problema. As lesões aconteceram, passei, superei muito bem. Então, vou jogar até quando eu quiser. Fisicamente estou muito bem, e é como falei, tudo que um moleque novo faz, eu faço. Agora, o que eu faço, o moleque novo não faz. Enquanto eu tiver cabeça, tiver vontade, tiver ambição, tesão por jogar, eu vou jogar. Porque eu gosto de fazer isso e é o que me faz feliz”.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *