Praia Clube retoma basquete em Uberlândia com time jovem e pensa a longo prazo em NBB

Praia Clube é o segundo time mineiro profissional (Foto: Divulgação/CBB)
Praia Clube é o segundo time mineiro profissional (Foto: Divulgação/CBB)

A pouco mais de um mês do começo do Campeonato Brasileiro da Confederação Brasileira de Basquete (CBB), o Praia Clube iniciará o período de amistosos preparatórios nesta semana. A equipe de Uberlândia, cidade do Triângulo Mineiro, traz de volta o basquete profissional à cidade depois de alguns anos. Para entender o projeto do clube, o Basquete Todo Dia conversou com o técnico Cristiano Grama, que explicou as ambições do jovem time, da instituição e o objetivo enquanto planejamento.

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O Brasileiro da CBB começa em 15 de março e terá 14 equipes, divididas em dois grupos. O Praia está na chave Amarelo, junto de Joinville, Black Star Joinville, Campo Mourão, Maringá, Pinheiros B e Liga Sorocabana. Cristiano explicou como se deu a montagem da equipe, enfatizando que se trata de um projeto a longo prazo.

“O objetivo agora é criar uma sustentação para uma equipe adulta. Optamos por uma base jovem, mas talentosa, que a gente julga que a maioria tem potencial para jogar adulto. É uma equipe sub-21, até para disputar os três torneios que temos na temporada, além da CBB, que é o Brasileiro Sub-21 e a LDB. Dessa equipe, tentaremos montar uma base para que na próxima temporada tenhamos alguns adultos e fazer algo parecido com o que aconteceu quando eu estava no Minas, que tinha vários jovens, com três, quatro adultos”, disse o técnico, que já comandou base e profissional do Minas Tênis Clube.

Cristiano Grama já comandou o time profissional do Minas (Foto: Orlando Bento/Minas)
Cristiano Grama já comandou o time profissional do Minas (Foto: Orlando Bento/Minas)

Na primeira fase do Brasileiro, as equipes se enfrentam times dos mesmos grupos, em turno e returno. Os dois melhores de cada avançam direto para as quartas de final. Outros quatro times (terceiro, quarto, quinto e sexto) fazem duelo único na casa do clube de melhor campanha, cruzando os grupos, definindo mais quatro classificados.

As quartas de final serão disputadas em melhor de três jogos, sendo que os primeiros colocados enfrentam o vencedor do duelo entre o 4º x 5º. Os segundos colocados pegam o adversário que vencer o jogo entre 3º x 6º. Por fim, o campeão brasileiro será definido em Final Four entre os quatro semifinalistas. A equipe vencedora terá o direito de disputar o NBB da temporada 2020/2021.

“Sobre o acesso ao NBB, o que é falado a todos é que o campeão teria a possibilidade de ter uma vaga no NBB. Mas, para isso, teria que demonstrar que tem condições de jogar o NBB, investimento. Tem um valor mínimo para participar. O que é falado a todos é que realmente o campeão terá a possibilidade de ter uma vaga na liga principal”, disse Cristiano.

Ainda sobre o projeto, o técnico do Praia explicou que a ideia é chegar à elite nacional, ao NBB, mas de forma gradativa. “É um projeto a longo prazo. O objetivo é o NBB, mas a gente não vai dar um passo maior que a perna. Nesse princípio é montar uma equipe para disputar, para começar a entender um pouco o torneio da CBB, e a partir da segunda temporada ir galgando mais possibilidades. O objetivo é ir moldando uma equipe até conseguirmos chegar ao NBB”.

Cristiano Grama falou também da dificuldade de se preparar a jovem equipe para o torneio da CBB. A partir desta semana, a equipe começa a disputar amistosos, com a intenção de chegar na estreia com forte ritmo de jogo.

“Temos uma certa dificuldade em relação a jogos, torneios preparatórios, até porque a maioria das equipes do Brasileiro da CBB tem o orçamento bem enxuto, como o nosso. Até tentamos algum amistoso contra algumas equipes, mas não é fácil, principalmente para as equipes se deslocarem. Como o torneio da CBB é um orçamento muito inferior ao do NBB, são poucas equipes que têm condição de formar amistosos ou participar de torneios preparatórios. Nós não temos orçamento liberado para sair de Uberlândia para fazer amistosos, então tentamos trazer os jogos para Uberlândia, e até agora não conseguimos. Pensamos em alguns amistosos, inclusive nesta semana faremos nosso primeiro amistoso, e o objetivo é ter de quatro a cinco amistosos antes do início”.

O Praia Clube, que declarou o interesse em disputar o Brasileiro em novembro de 2019, é apenas o segundo time profissional de Minas Gerais, que também tem o Minas, equipe belo-horizontina do NBB. Mesmo assim, o time de Uberlândia ainda conta com atletas recém-promovidos. Cristiano Grama refletiu sobre a ausência de mais equipes adultas tanto em território mineiro quanto brasileiro.

“O grande segredo está na base. É muito difícil para equipes do interior manterem os atletas, garotos e garotas, motivados, para poder ir subindo de nível. As equipes da capital jogam entre eles, e os times do interior jogam pouco, e têm que buscar outros torneios. Nós do praia, ano passado, jogamos a Liga de Ribeirão Preto. A gente teria interesse de jogar um campeonato estadual da base, mas ainda não foi visto nem uma coisa nesse sentido. Realmente é difícil, é difícil manter. O Minas tem uma estrutura pronta há algum tempo, mas a base está sendo deixada um pouco de lado. Exemplo é o time adulto, que não tem nenhum atleta em ascensão da base jogando, tem jogador de Seleção Brasileira, mas que não joga. Acaba que, no futuro, ele vai ter que procurar uma outra situação, outra maneira de se apresentar ao mercado. É complicado, tem torneios da CBC, que é uma maneira de fazer as equipes masculinas e femininas jogarem, mas são para poucos, só quem tem dinheiro. Tem que ser revisto alguma maneira, de começar realmente a ter formação de revelação de atletas. Citar o caso do próprio NBB, que a maioria das equipes optou por armadores estrangeiros, ou seja, não está surgindo armador”, afirmou.

Cristiano Grama, por fim, frisou que a equipe está fechada, com 16 atletas no elenco. Ele deixou claro que o time deve ser pensado a longo prazo, pensando em vaga no NBB somente a algumas edições de Brasileiro.

“Estamos com uma equipe pronta. Temos 13 atletas contratados e três da cidade, e vai ser essa equipes que vai jogar os torneios neste ano. A gente não está pensando em novas contratações. Temos um time montado, que vejo potencial, que falta oportunidade, todos foram escolhidos a dedo, e a escolha foi visando uma base boa para o ano que vem teremos um time cada vez mais forte, assim por diante, até chegar no objetivo, que é a vaga ao NBB”, concluiu.

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