Declaração de ex-técnico da seleção gera mal-estar no basquete brasileiro

Leandrinho e Rubén Magnano em um amistoso da seleção em 2016 (Foto: Gaspar Nóbrega/Bradesco)
Leandrinho, um dos principais nomes da equipe brasileira, e Rubén Magnano em um amistoso da seleção em 2016 (Foto: Gaspar Nóbrega/Bradesco)

Uma declaração do ex-técnico da Seleção Brasileira Masculina de basquete, Rubén Magnano, incomodou todo o basquete nacional e reverberou nessa segunda-feira. A tendência é que, com o tempo, mais personalidades relacionadas ao tema se posicionem e cobrem uma retratação ou uma melhor explicação do treinador sobre o caso.

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Durante uma entrevista no último domingo ao jornalista argentino Carlos Altamirano, Magnano, que comandou a seleção de 2010 a 2016, disse que não conseguiu alcançar o pódio em torneios como Mundiais e Jogos Olímpicos com a camisa brasileira por causa dos atletas. Em um primeiro momento, ele disse que a falta de minutagem de alguns atletas na NBA atrapalhou o desempenho. Depois, ele disse que faltava comprometimento de alguns jogadores, sem citar nomes.

“Ter comprometimento com uma seleção nacional é determinante para se conseguir um bom resultado. Uma coisa que observei e sempre digo é que o compromisso te permite chegar ao objetivo que deseja. Precisa ter gente realmente comprometida. Se não tiver empenho, será extremamente difícil, por mais talento que você tenha”, disse Magnano.

A declaração reverberou. Além da repercussão nas redes sociais, a Confederação Brasileira de Basquetebol (CBB) se manifestou e atacou Magnano. Em uma nota que mais parece uma mensagem de ódio contra o treinador, a entidade disse que o argentino foi, entre outras coisas, “covarde”.

“Nunca faltou comprometimento aos nossos atletas. Vestir a camisa do Brasil é motivo de orgulho para todos eles. Ao invés de se eximir da culpa, Rubén Magnano precisa aceitar que os sete anos de trabalho à frente da Seleção Brasileira masculina adulta não deixaram qualquer legado para o basquete brasileiro, mesmo com o salário astronômico que recebia. Mais do que isso, precisa explicar o motivo disso. Culpar seus comandados durante todo esse período é saída fácil, baixa e covarde”, diz a nota. Para o UOL, um dirigente da CBB também disse que Magnano está “no lixo” da história do basquete brasileiro.

O único atleta a se manifestar sobre o caso foi o ex-pivô Tiago Splitter, já aposentado. Pelas redes sociais, um dos líderes da Seleção Brasileira durante a “era Magnano” pediu ao treinador para ser mais específico nas críticas, para não ser um comunicado geral e fica um mal-estar entre todos. Splitter também pediu retratação do técnico.

“Ele também falou sobre compromisso. E é onde que eu quero chegar. E ele falou no geral. E quando ele fala no geral atinge todo mundo. Ele fala de jogadores jovens que não tiveram compromisso. Então, quem são esses jogadores jovens que não tiveram compromisso? São os que estavam chegando na seleção ou que pediram dispensa por algum motivo. Quem são esses? Porque se você não dá nomes coloca todo mundo no mesmo barco e aí atinge todo mundo. Existe uma sensação ruim entre todos nós agora. Porque falar de uma coisa, e quem são essas pessoas que não tiveram compromisso? É muito fácil apontar, principalmente num esporte coletivo. Quando um time perde, nós perdemos. Quando um time ganha, nós ganhamos. Então, isso é muito importante. Essa desculpa de querer driblar o teu protagonismo numa seleção que perdeu eu não acho certo. Espero que o Rubén pense nisso”, disse o campeão da NBA em 2014, pelo San Antonio Spurs.

Medalhista de ouro como treinador da Seleção Argentina nos Jogos Olímpicos de 2004, Magnano dirigiu o Brasil em dois Mundiais (2010 – caiu nas oitavas – e 2014 – caiu nas quartas) e duas Olimpíadas (2012 – caiu nas quartas – e 2016 – caiu na fase de grupos). A Seleção Brasileira não disputava o torneio olímpico desde 1996.

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