Única brasileira na WNBA, Damiris se diz tranquila com a bolha da liga e mostra confiança com futuro da seleção

Damiris fez 141 partidas na WNBA, sendo 125 pelo Lynx (Foto: Divulgação/Minnesota Lynx)
Damiris fez 141 partidas na WNBA, sendo 125 pelo Lynx (Foto: Divulgação/Minnesota Lynx)

A sete dias do início da temporada 2020 da WNBA, as 12 equipes já se adaptam à nova realidade da bolha da liga. Devido à pandemia do novo coronavírus, as equipes estão enclausuradas em um complexo de esportes em Bradenton, cidade da Flórida. A temporada regular foi reduzida de 36 para 22 jogos e terá fim em 12 de setembro. O calendário dos playoffs ainda será definido. Única brasileira na liga, a ala-pivô Damiris Dantas, de 27 anos, do Minnesota Lynx, mostrou tranquilidade quanto às dinâmicas estabelecidas pela organização.

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Em entrevista coletiva por videoconferência neste sábado (18), da qual o Basquete Todo Dia participou, a brasileira disse que está tranquila com a organização da WNBA para a disputa do torneio. Os Estados Unidos ainda sofrem com a pandemia, enquanto a Flórida tem 327.233 casos confirmados e 4.804 mortes pela COVID-19.

“Foi bem complicada as primeiras semanas aqui. Fui para Minneapolis, quatro dias no hotel, quarto individual. Chegou aqui (Bradenton) fiquei mais quatro dias, no quinto teve alguns treinos e depois iniciamos o coletivo. Estava com saudade, claro que tomando os cuidados. Acho que e a WNBA tem tomado todos os cuidados. O time é muito novo, muitas meninas novas, totalmente diferente do ano passado, mas está bom, deu liga boa. Semana que vem teremos amistosos, espero que possamos chegar bem aos playoffs e caminhar bem. Estão todos otimistas”, disse a brasileira.

Damiris Dantas e a ala Napheesa Collier (Foto: Divulgação/Minnesota Lynx)
Damiris Dantas e a ala Napheesa Collier (Foto: Divulgação/Minnesota Lynx)

Damiris também disse que deve ter mais minutos em quadra em relação a outros anos. Ela vai para a sexta temporada na liga, tendo atuado em todas pelo Lynx. Em 2019, foram 26 jogos pelo time.

“Tive uma boa conversa com a técnica (Cheryl Reeve). É minha sexta temporada, sempre tive boas jogadoras comigo, então acabava que não tinha muita chance, participava mais na defesa. Agora já venho me destacando mais, e o que foi pedido é que eu assuma essa responsabilidade. Ela disse que vai fazer mais jogadas para ver eu pontuando. Acho que agora sou uma jogadora mais importante para o time. E o mais legal disso é que tenho confiança da treinadora”, comentou Damiris.

Seleção Brasileira

Derrota por 91 a 89 para Porto Rico no Pré-Olímpico Mundial foi decisiva para a eliminação (Foto: Thierry Gozzer/Confederação Brasileira de Basquetebol - CBB)
Derrota por 91 a 89 para Porto Rico no Pré-Olímpico Mundial foi decisiva para a eliminação (Foto: Thierry Gozzer/Confederação Brasileira de Basquetebol – CBB)

Damiris participou do Pré-Olímpico Mundial com a Seleção Brasileira, em fevereiro deste ano. A equipe não conseguiu se classificar para os Jogos Olímpicos de Tóquio, adiados para 2021. Apesar disso, a ala-pivô mostrou confiança no próximo ciclo olímpico para Paris-2024 e elogiou o técnico José Neto.

Acho que o basquete feminino brasileiro esta bom, tivemos uma evolução recente e podemos evoluir mais. em poucos meses tivemos mudança, acho que teremos um bom ciclo. Vemos uma evolução na seleção nesses meses que o Neto chegou, não classificamos para Tóquio, mas creio que temos um tempinho a mais para treinar e já  mostramos que podemos muito. Temos tempo para evoluir mais. Vocês vão ver jogadoras saindo para a Europa para ter mais bagagem. Se Deus quiser vai dar tudo certo”, afirmou.

Futuro

É comum que jogadoras da WNBA disputem torneios nacionais de outros países enquanto a liga não retorna. Foi o caso de Damiris em alguns anos e também em 2019, quando assinou com o BNK Sum, da Coreia do Sul. Devido à pandemia, a temporada 2019/2020 sul-coreana foi cancelada, e a ala-pivô não sabe se repetirá o movimento em 2020.

“Eu estava na Coreia, joguei três meses, ai a liga foi paralisada. Fiquei mais duas semanas lá esperando, aí cancelou. E fiquei quatro meses no Brasil até chegar nos Estados Unidos para a temporada 2020 da WNBA. Tenho vontade de descansar um pouco depois da WNBA, porque essa rotina é cansativa. Estou com uns problemas no tornozelo e na panturrilha, mas nada que impede de jogar, mas não sei o que vai acontecer. Nada está certo”, comentou Damiris, que tem contrato garantido com o Lynx até o fim da temporada 2021 da WNBA.

Movimentos sociais

Dois movimentos chamaram a atenção recentemente, tanto na questão do basquete quanto na sociedade: um clamor por maior apoio ao basquete feminino nacional e o movimento vidas negras importam. Damiris, atleta negra, comentou as duas situações e disse que manterá seu posicionamento de apoio às duas causas.

“Agora acho que está meio estacionado. Acredito que precisamos de mais investimento, visibilidade. O basquete feminino está carente dessas coisas. Temos conversado, agora estamos em um caminho melhor. Muitas pessoas estão olhando, mas falta ainda, então melhorar sempre tem, mas acho que estamos em um caminho certo. Nós jogadoras temos conversado muito. Queremos ser ouvidas, ter visibilidade, acho que esse é o momento de, juntas, brigarmos por essa causa. Acredito que isso vai melhorar, se cobrarmos as coisas vão acontecer”, disse sobre o basquete feminino nacional.

“Isso vai ter sempre, porque é minha causa, minha luta, e não vou parar enquanto não melhorar, então vou estar sempre me posicionando. Eu tenho me posicionado mais, entendi a importância. Recebi muitas mensagens, por exemplo do meu cabelo, muitas meninas me olham e falam que depois que parei de alisar elas se reconheceram. É bom receber essas mensagens. Vou sempre jogar e me posicionar”, completou a brasileira.

Videoconferência com Damiris Dantas, promovida pela comunicação da NBA no Brasil, envolveu diversos veículos (Foto: Reprodução/Zoom)

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