Felício espera mais minutos em temporada decisiva no Bulls e comenta críticas: ‘Procuro entender os motivos’

Felício chegou ao Chicago Bulls em 2015 e irá para o último ano do atual contrato pela franquia (Foto: Divulgação/NBA)
Felício chegou ao Chicago Bulls em 2015 e irá para o último ano do atual contrato pela franquia (Foto: Divulgação/NBA)

Um dos três jogadores brasileiros na NBA, o pivô Cristiano Felício, do Chicago Bulls vai para a sexta temporada na liga. Este será o último ano do atual vínculo do jogador, de 28 anos, com a franquia de Illinois, que o contratou em 2015. A temporada 2019/2020 terminou em março deste ano para Bulls e Felício, por causa da pandemia do novo coronavírus.

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A equipe era a 11ª da Conferência Leste, não tinha mais chances de se classificar aos playoffs, e por isso não disputa o restante da temporada na bolha da NBA na Disney, em Orlando. Devido a uma fratura no pulso direito em novembro, Felício somou somente 22 jogos em 65 possíveis na temporada 2019/2020, com médias de 3,9 pontos, 4,6 rebotes e 0,7 assistências, além de 17,5 minutos por partida, e disse que foca em ter mais minutos de quadra no Bulls.

“Sempre dou o meu máximo pela equipe, nos treinos e nos jogos. Penso em como posso ser útil, em como posso estar colaborando cada vez mais com o time. Meu objetivo hoje é ganhar mais minutos, em fazer uma boa temporada”, contou, ao Estado de Minas.

A pandemia proporcionou a Felício uma espécie de férias diferenciadas. Ele conseguiu passar o aniversário da mãe, em junho deste ano, junto da família, em Pouso Alegre, no Sul de Minas Gerais.

“Foi muito bom. Sempre perco datas importantes em família e, por causa da suspensão da temporada, pude passar o aniversário da minha mãe com ela. Fiz uma surpresa. Ela não sabia que eu vinha e fiquei muito feliz em estar com a minha família durante todo esse tempo. Estamos vivendo dias difíceis no mundo todo por causa da pandemia, então estar com eles, ver também que todos estão bem, foi muito importante”, disse o pivô.

Felício acaba vinculado às críticas ao Chicago Bulls, que não se classificou aos playoffs pela terceira temporada seguida. O pivô comentou a situação e mostrou maturidade para abordar o fato.

“Aceito bem as críticas, procuro entender os motivos e tirar o que há de bom nelas, nas que são dirigidas a mim com intenção de construir, de ajudar. Quando é algo vazio, não dou importância. Todo mundo está sempre buscando evoluir e eu estou sempre trabalhando para melhorar o meu jogo, ganhar cada vez mais espaço na equipe”, afirmou Felício, que passou por Jacareí (2007 a 2009), Minas e Flamengo até chegar ao Bulls.

Felício também defende a Seleção Brasileira e sonha em disputar o segundo Jogos Olímpicos da carreira. Para isso, precisa vencer o Pré-Olímpico, em junho de 2021, com a equipe nacional e seguir para Tóquio-2021, em agosto. O pivô está confiante.

“Temos uma equipe muito forte, experiente, com grandes jogadores. Fizemos uma ótima Copa do Mundo, jogando bem, vencendo adversários duríssimos, mas não conseguimos chegar onde queríamos. Temos um Pré-Olímpico pela frente, um torneio muito difícil, só o campeão vai se classificar para Tóquio, mas estamos confiantes, motivados. Vamos com tudo em busca da vaga para as Olimpíadas”, finalizou.

Leia a íntegra da entrevista com Cristiano Felício:

Antes de tudo, gostaria de falar sobre esse momento com a família. Sua história é muito legal, e imagino que esse tempo a mais com os parentes em Pouso Alegre, sua cidade, tenha lhe feito bem. Como foi esse período com eles

“Foi muito bom. Sempre perco datas importantes em família e, por causa da suspensão da temporada, pude passar o aniversário da minha mãe com ela. Fiz uma surpresa. Ela não sabia que eu vinha e fiquei muito feliz em estar com a minha família durante todo esse tempo. Estamos vivendo dias difíceis no mundo todo por causa da pandemia, então estar com eles, ver também que todos estão bem, foi muito importante”.

Agora, falando de quadra. O Chicago Bulls passa por um momento delicado, de transição. Como você avalia a temporada passada e visa a próxima para a franquia?

“Não dá para fazer muita avaliação sobre a temporada, por tudo o que aconteceu. Infelizmente, com o campeonato suspenso tanto tempo e pelo formato aprovado, não seguimos na competição. Agora é trabalhar forte na pré-temporada, fazer uma boa preparação para ter um bom ano”.

E sua situação no Chicago Bulls? Na última temporada, caso fosse completa, você poderia ter 39 partidas disputadas, o que ainda seria um número abaixo de outros três anos. Isso te preocupa visando ao futuro na equipe, uma vez que seu contrato também tem vencimento relativamente próximo?

“Sempre dou o meu máximo pela equipe, nos treinos e nos jogos. Penso em como posso ser útil, em como posso estar colaborando cada vez mais com o time. Meu objetivo hoje é ganhar mais minutos, em fazer uma boa temporada”.

Você caminha para a sexta temporada na NBA e em uma das franquias de maior história do basquete. Apesar disso, existem críticas sobre seu estilo de jogo e até minutagem. Como você encara esse tipo de opinião?

“Aceito bem as críticas, procuro entender os motivos e tirar o que há de bom nelas, nas que são dirigidas a mim com intenção de construir, de ajudar. Quando é algo vazio, não dou importância. Todo mundo está sempre buscando evoluir e eu estou sempre trabalhando para melhorar o meu jogo, ganhar cada vez mais espaço na equipe”.

Aproveito a oportunidade para perguntar qual sua análise sobre o basquete europeu. Acredita que seja um local interessante para desenvolver a carreira? Você tem preferência por algum país?

“A Europa tem um basquete muito forte, campeonatos de alto nível, Espanha, Itália, Turquia… Mas meu foco está apenas na NBA. Quero permanecer aqui na liga por muitos anos”.

Gostaria de uma opinião geral sobre a NBA e a situação da bolha. Como você tem visto isso? Crê que a liga agiu da melhor maneira? E qual seu palpite sobre o campeão desta temporada?

“Só estou sabendo da bolha pelo noticiário, pelo que leio e vejo na imprensa. Acho que a NBA conseguiu criar um ambiente seguro, controlado para a retomada da temporada. Todos os testes foram negativos, vemos que os atletas estão confortáveis, então acho que foi uma opção acertada”.

Falando sobre basquete brasileiro agora… você segue acompanhando o NBB, o basquete nacional? Consegue fazer uma análise geral da competição e de como as coisas caminham por aqui? Crê que um dia pode voltar a atuar em solo brasileiro, ou até encerrar a carreira por algum time daqui, como Flamengo ou Minas?

“Não consigo acompanhar muito por causa da temporada. São muitas viagens, jogos, tento ver as notícias, falo com alguns amigos que jogam no NBB, mas não consigo acompanhar muito durante a competição. Hoje estou focado aqui na NBA mas, quem sabe, assim como já aconteceu com outros jogadores, eu possa voltar um dia ainda para jogar no Brasil”.

Por fim, sobre a Seleção Brasileira. Os Jogos Olímpicos foram adiados, assim como o Pré-Olímpico. Qual sua expectativa sobre esses torneios?

“Temos uma equipe muito forte, experiente, com grandes jogadores. Fizemos uma ótima Copa do Mundo, jogando bem, vencendo adversários duríssimos, mas não conseguimos chegar onde queríamos. Temos um Pré-Olímpico pela frente, um torneio muito difícil, só o campeão vai se classificar para Tóquio, mas estamos confiantes, motivados. Vamos com tudo em busca da vaga para as Olimpíadas”.

Além disso, queria sua opinião sobre a equipe brasileira e o futuro, que vai se evidenciar após as Olimpíadas. Se sente pronto para ser um dos atletas “base” do time, junto de Raulzinho, Vítor Benite e outros?

“Tenho muito orgulho de representar o meu país, isso se renova a cada vez que sou convocado. Temos uma geração muito talentosa, que já vem disputando as principais competições nos últimos anos, e esse tipo de ‘responsabilidade’ é algo que motiva muito. A carreira do atleta é feita de ciclos, o mesmo acontece em relação à Seleção Brasileira, aprendendo com os mais experientes e passando para os mais novos. O Brasil tem muitos bons jogadores, uma base forte, mas o foco agora está no próximo desafio, que é o Pré-Olímpico, é nisso que temos que pensar, em conquistar a vaga para Tóquio”.

Esta matéria também foi publicada na edição impressa do Jornal Estado de Minas desta quinta-feira (13)

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