Raulzinho e Cristiano Felício buscam seguir na NBA após temporada decisiva

Situações semelhantes, mas em cenários diferentes. Os mineiros Raulzinho e Cristiano Felício são os únicos brasileiros na NBA atualmente e estão em último ano de contrato, mas enquanto um tem sido muito utilizado, o outro busca espaço na equipe. Ambos conversaram com o Basquete Todo Dia e falaram sobre a atual temporada, o momento de cada equipe e até Seleção Brasileira.

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Natural de Belo Horizonte, o armador Raulzinho, de 28 anos, está na primeira temporada pelo Washington Wizards e tem sido muito utilizado pelo técnico Scott Brooks. Acionado do banco de reservas, o camisa 19 entrou em quadra em 29 jogos de 35 possíveis.

O Wizards mira os playoffs da NBA. A equipe ocupa a 12º posição da Conferência Leste da NBA, com 14 vitórias e 20 derrotas, e está atrás do Chicago Bulls, time de Cristiano Felício, nono colocado na mesma costa, com 16 triunfos em 34 partidas.

Apesar da campanha, Felício, natural de Pouso Alegre e também aos 28 anos, atuou somente em seis jogos na atual temporada, treinado pelo técnico Billy Donovan. O mineiro está no Bulls desde 2015, ano em que estreou na NBA, assim como Raulzinho.

Após pausa em jogos entre a última sexta-feira (05/03) e esta terça-feira (09/03) para o Jogo das Estrelas, a temporada não vai mais parar até os playoffs. Os seis primeiros de cada conferência na NBA se classificam de forma direta aos mata-matas, que começam em 22 de maio, enquanto os times do sétimo ao décimo posto disputam um mini torneio de repescagem para definir as outras duas franquias na fase eliminatória.

Veja a íntegra da entrevista com Raulzinho:

Raulzinho tem sido muito utilizado no Wizards (Foto: Ned Dishman/NBA)
Raulzinho tem sido muito utilizado no Wizards (Foto: Ned Dishman/NBA)

Raul, você caminha para uma temporada sendo utilizado praticamente em todos os jogos. Acredita que a movimentação para o Wizards tenha sido um passo importante para sua carreira?

Acho que sim, acho que vindo para o Washington Wizards acabei tendo mais oportunidades. Apesar de eu ter conquistado, não foi nada que eles me deram só por ter vindo para cá, mas acho que sim. Foi uma escolha boa para minha carreira aqui na NBA e que estou sabendo aproveitar as oportunidades e está dando resultado.

Como você classifica essa equipe? Há dois armadores (Bradley Beal e Russell Westbrook) de elite com uma composição jovem, e o encaixe parece estar acontecendo aos poucos.

Desde o começo sabíamos da qualidade do time, apesar de as vitórias não terem aparecido no começo da temporada, a gente que ia chegar. Foi arrumar alguns detalhes, alguns jogadores entenderem qual a posição deles no time, o que precisam fazer para ajudar o time a ganhar, e agora está todo mundo focado, sabendo o que tem que fazer dentro de quadra. O resultado está começando a aparecer, temos um time jovem com duas grandes estrelas, que é Bradley Beal e Westbrook, e temos tudo para melhorar cada vez mais e tentar alcançar os objetivos na temporada.

Até onde essa equipe do Wizards pode chegar?

A gente não gosta de colocar limite. Lógico que temos o objetivo de entrar nos playoffs, na posição que estamos é o objetivo mais real que a gente tem, mas entrando nos playoffs tudo pode acontecer. Encaixando o jogo, jogando como jogamos no último mês, ganhamos de várias equipes que vão brigar por títulos, que estão tendo um ano muito bom, sabemos nossa capacidade, mas é difícil colocar um limite. Mas nosso objetivo é entrar nos playoffs primeiro.

Você já teve alguns companheiros de nível elite, como Rudy Gobert, Joel Embiid, Ben Simmons, e agora trabalha como reserva do Westbrook. Como tem sido a convivência com ele? Parece ser louco pelo esporte, pelo trabalho. É um bom colega?

A convivência tem sido bem legal, dentro e fora de quadra. Ele me respeita como jogador, dentro de quadra estamos nos entendendo cada vez mais, confiando não somente ele em mim e eu nele, mas na equipe inteira. Está sendo um ano bem legal para mim, estou aprendendo bastante, e ele é um cara que ama o esporte, muito intenso, que vai fazer de tudo para ganhar, para fazer um bom jogo. Está sendo um ano legal e estou aprendendo muito com ele.

Você tem um contrato que se encerra ao fim da temporada. Como você leva isso nas atuações em quadra?

Já estive nessa situação de estar terminando contrato em outros anos. É uma coisa que às vezes passa na cabeça, mas tento não deixar isso afetar no jogo. Estou sempre focado, dando o máximo, treinando, cuidando do meu corpo, pois é uma temporada longa, com muitas viagens e jogos, tenho sempre que estar bem fisicamente, mas com minha experiência tem afetado menos, o fato de eu ter o contrato acabando ao fim da temporada.

Esta temporada da NBA está sendo completamente diferente das demais, com menos jogos, sem ginásios lotados e muitos jogos repetidos em curto intervalo de tempo para evitar deslocamentos. Como você e os demais jogadores têm analisado e tentado se adaptar a isso?

Tem sido uma adaptação difícil. A gente estava acostumado com jogos e viagens, mas tendo todo acesso a descanso, cuidar do corpo, fisioterapia, e agora isso mudou um pouco. A gente às vezes tem uma sequência de testes de COVID-19 que não deixam a gente descansar tanto à tarde, ou a gente chega de viagem 1:00, 2:00 em uma cidade e tem que acordar logo de manhã para fazer teste. Para mim, pessoalmente, está sendo o mais difícil de se adaptar. Estava adaptado a dormir bastante, a tentar descansar o tempo que não estou jogando ou treinando, e este ano com todas as diferenças de testes, até para ir ao treino tem que fazer teste e esperar no carro 40 minutos, uma hora, às vezes é cansativo mas é importante se cuidar, ter certeza que não está com coronavírus. Estamos começando a nos adaptar agora.

Agora, falemos sobre Seleção Brasileira. Como enxerga a aproximação do Pré-Olímpico, em junho? Além disso, a gestão feita pelo técnico Aleksandar Petrovic tem te agradado?

A gente sempre fica ansioso para quando chega um Pré-Olímpico, Olimpíadas, é sempre muito gratificante poder representar nosso país, mas ainda tem uma temporada pela frente, muita coisa pode acontecer. Petrovic tem sempre mantido contato, tem sido sempre muito cordial nos últimos anos com minhas decisões. Vamos ver, não sei como vou terminar a temporada, qual vai ser a situação, mas espero que dê tudo certo e estou animado para poder, se acontecer de jogar com a seleção, estar preparado e representar bem o país.

Veja a entrevista completa com Cristiano Felício:

Cristiano Felício busca mais oportunidades na atual temporada para seguir na NBA (Foto: Divulgação/Chicago Bulls)
Cristiano Felício busca mais oportunidades na atual temporada para seguir na NBA (Foto: Divulgação/Chicago Bulls)

Cristiano, esta é a sua sexta temporada na NBA e no Chicago Bulls. Imagino que conheça quase tudo da franquia e muita coisa da liga. O que você tira desse período na equipe?

Estou muito bem aqui em Chicago, feliz em fazer parte da organização. Desde o primeiro dia todos me receberam bem, é bom fazer parte de uma franquia tão tradicional, tão vencedora e com tantos fãs pelo mundo. Todos os dias aprendo muito e me torno um jogador melhor. E é esse o meu objetivo, evoluir para poder contribuir cada vez mais com a franquia dentro e fora de quadra.

A atual equipe é formada basicamente por jovens e deve brigar pelos playoffs até o fim da temporada regular. Acha que é possível surpreender e chegar ainda mais longe?

Temos trabalhado muito para isso. Apesar de jovem, nosso grupo é forte, de muita qualidade, e temos condições de chegar aos playoffs. Vamos pensando em um jogo de cada vez, é uma longa temporada e o objetivo é conquistar o máximo de vitórias.

Nesta temporada, você tem sido pouco utilizado pelo técnico Billy Donovan, que está no primeiro ano de trabalho no Bulls. Na sua opinião, você merecia mais tempo de quadra?

Procuro aproveitar ao máximo as oportunidades que tenho. Esta é uma decisão do técnico, estou sempre pronto para colaborar, para ajudar o time como puder, da forma como for necessária. Treino duro para estar sempre pronto.

Você está em seu último ano de contrato. Você teme não seguir em Chicago ou na própria NBA? Talvez já planeje os próximos passos após esta temporada com o Bulls?

Estou focado na temporada, em dar o meu melhor pela franquia todos os dias, ajudar a equipe a fazer uma boa temporada. Estamos tendo boas atuações, vencemos jogos importantes e temos condições de chegar aos playoffs, jogando ainda melhor. É esse o objetivo, o foco está em melhorar mais e mais a cada dia.

Falemos agora sobre Seleção Brasileira. Como enxerga a aproximação do Pré-Olímpico, em junho? Além disso, a gestão feita pelo técnico Aleksandar Petrovic tem te agradado?

Espero ter a oportunidade de disputar o Pré-Olímpico pela Seleção Brasileira. Estamos em uma chave difícil, é um torneio curto, de nível altíssimo, e precisamos chegar bem preparados pois todos os jogos serão decisões. Queremos muito a classificação para Tóquio, sabemos das dificuldades que vamos enfrentar, mas acreditamos na vaga. Petrovic é um grande técnico, tem uma sintonia muito boa com o grupo e conhece o basquete como poucos. Tenho total confiança nele.

Reportagem também publicada na edição impressa do Jornal Estado de Minas desta segunda-feira (08/03)

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