Em dez anos, Giannis Antetokounmpo saiu da Terceira Divisão da Grécia para o título da NBA e MVP das finais

Antetokounmpo foi eleito o melhor das finais desta temporada da NBA (Foto: Jonathan Daniel/AFP)
Antetokounmpo foi eleito o melhor das finais desta temporada da NBA (Foto: Jonathan Daniel/AFP)

A vida e a trajetória do ala-pivô grego Giannis Antetokounmpo merece um filme. Entre 2011 e 2013, o jogador saiu da terceira divisão da Grécia para chegar à NBA e, não satisfeito, marca uma época, agora com o título de campeão da liga com o Milwaukee Bucks, franquia que o selecionou no Draft de 2013 e sua casa.

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Além disso, nas finais deste ano, vencidas pelo Bucks sobre o Phoenix Suns por 4 a 2 – e em um cenário onde o time do estado do Arizona era considerado leve favorito -, Giannis foi dominante e foi eleito o melhor jogador da decisão. Além das médias históricas nestes seis jogos (líder geral em pontos, rebotes e tocos), o camisa 34 saiu de uma lesão – hiperextensão no joelho esquerdo – que o tirou de duas partidas das finais da Conferência Leste para não deixar dúvidas sobre seu status.

Antetokounmpo, de 26 anos, é a prova da evolução no esporte e na vida. Descendente de pais nigerianos humildes, nascido e criado em Atenas, no bairro de Sepolia, vendedor de óculos pelas ruas gregas junto do pai e dos quatro irmãos, Giannis começou a praticar o basquete em meados de 2008, com 13 anos.

Muito atlético, ele se destaca e começa a atuar pelo Filathlitikos (atual EFAO Zografou) a partir de 2011, ano em que iniciou como profissional na terceira divisão da Grécia e intercalou entre atuações na base. Mesmo tendo conseguido nacionalidade grega somente em 2013 por conta de questões burocráticas do país, ele começou a integrar também as seleções sub-16.

A equipe subiu da terceira para a segunda divisão da Grécia em 2012, e Giannis começava a chamar atenção de grandes equipes europeias, como o Barcelona, da Espanha. Contudo, a NBA também já se debruçava diante do prospecto com braços e pernas compridas, além de velocidade e técnica para atuar como ala. Diante dos olhares conseguidos, Antetokounmpo se declara elegível para o Draft de 2013, mesmo sem experiência profissional na seleção ou em grandes ligas da Europa.

O Milwaukee Bucks compra a ideia e, diferente de outras franquias que preferem atletas universitários como uma escolha mais segura, aposta no grego. Antetokoumpo escolhido na 15º posição daquele Draft – que contou com atletas como os ala-armadores Victor Oladipo e CJ McCollum e o pivô francês Rudy Gobert.

Aos 18 anos e 318 dias de idade, Antetokounmpo foi o 15º jogador mais novo a estrear na NBA. A partir de então, a vida do grego muda completamente. Mesmo em uma modesta franquia da liga – com breves e tímidas aparições em playoffs desde 2001, sem passar da primeira rodada da Conferência Leste -, o ala começa a figurar na Seleção Grega profissional a partir de 2014, após boa temporada como calouro com o Bucks.

Com evolução gradual e integrando um processo de reformulação do Bucks (campeão da NBA em 1971 e vice-campeão em 1974), Giannis estende seu contrato com a franquia em 2016 e começa a impactar na liga e no basquete mundial. Na temporada 2016/2017, ele é selecionado pela primeira vez ao Jogo das Estrelas da liga (e segue como selecionável e um dos mais votados até hoje) e vence o prêmio de jogador que mais evoluiu em relação ao último ano e coloca a equipe como time de playoffs.

A partir da temporada 2017/2018 até a atual, o Bucks alcança o patamar de equipe candidata ao título da NBA – mesmo com a perda do pai, inspiração para ele, em setembro de 2017. O time tem performances notáveis na temporada regular, mas questionáveis nos playoffs. As frustrações coletivas, contudo, não impedem a dominância de Giannis, apelidado de Greek Freak (aberração grega, em tradução livre).

O camisa 34, que se torna uma estrela internacional e um dos atletas mais visados pela publicidade, foi eleito o melhor jogador da NBA em 2019 e 2020, melhor defensor em 2020 e integrante do quinteto ideal da liga em 2019, 2020 e 2021. As premiações individuais “esfriaram” em 2021, mas a glória estava preparada para o fim da temporada.

Após fracassar nos playoffs em temporadas anteriores, o Bucks finalmente chegou às finais da NBA em 2020/2021. E com o dominante Giannis Antetokounmpo, MVP da decisão – um dos prêmios mais valorizados da liga -, a equipe passou por Miami Heat (4 a 0), Brooklyn Nets (4 a 3), Atlanta Hawks (4 a 2) e Phoenix Suns (4 a 2) para conquistar o bicampeonato.

E agora?

Movido por desafios e “metas” – algumas estabelecidas por ídolos, como Kobe Bryant, que pediu a Giannis o MVP da liga e o título -, Giannis vai tentar manter o Bucks no topo, mesmo em um período marcado por “super times”, como o Brooklyn Nets atual e o recente Golden State Warriors. Internacionalmente, Giannis Antetokounmpo não conseguiu uma campanha de destaque com a Grécia – que ficou de fora da Olimpíada de Tóquio, quando o time não contou com Giannis no Pré-Olímpico.

Essa pode ser a próxima meta do ala-pivô, que carrega consigo a bandeira da Grécia e leva milhares de gregos às arenas por onde o Bucks passa. O jogador já disputou o Mundial de 2014, o Eurobasket de 2015 – ainda como promessa -, o Mundial de 2019 – já como estrela – e anseia por uma campanha impactante em algum desses grandes torneios ou no maior deles: os Jogos Olímpicos, que a seleção não participa desde que estreou na equipe.

Mesmo sem o pai por perto fisicamente, Giannis Antetokounmpo valoriza a família ao redor. Além da mãe, os quatro irmãos (dois atuam na NBA – ambos campeões: Thanasis este ano, junto de Giannis no Bucks, e Kostas – e um outro, Alex, o caçula, é um prospecto enquanto disputa o Campeonato Espanhol) são a base do ala-pivô. Qual será o próximo passo do camisa 34 do Milwaukee Bucks e da Seleção Grega?

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