Yago acerta ao testar o basquete europeu

Yago foi o melhor jogador do Globl Jam, torneio sub-23 vencido pelo Brasil há dez dias; Estados Unidos, Canadá e Itália também disputaram o campeonato (Foto: Divulgação/CBB)
Yago foi o melhor jogador do Globl Jam, torneio sub-23 vencido pelo Brasil há dez dias; Estados Unidos, Canadá e Itália também disputaram o campeonato (Foto: Divulgação/CBB)

Nome frequente na Seleção Brasileira, o armador Yago Mateus definiu nesta quarta-feira (20) que vai testar o basquete europeu pela primeira vez na carreira. Aos 23 anos, o jogador deixou o Flamengo para defender o Ratiopharm Ulm, da Alemanha, a partir da temporada que se aproxima – 2022/2023.

Até então, Yago tinha atuado como profissional por Paulistano e Flamengo. Premiado, vencedor no Brasil e peça consolidada na seleção, o armador de 1,75m faz certo em testar o mercado internacional e sair da zona de conforto que é o Brasil e a América Latina.

Neste âmbito, o armador – que não foi escolhido por nenhuma das 30 franquias da NBA no Draft de 2018 – já se provou. Rápido e com mentalidade vencedora, Yago parte para uma equipe de uma liga doméstica em crescimento e que disputa a Eurocup, segundo maior torneio europeu, atrás apenas da Euroliga.

O movimento de Yago é interessante e poderia ser feito por outras peças que atuam no Brasil, especialmente se pensarmos na evolução da Seleção Brasileira. Jogadores como Lucas Dias, de 27 anos, Lucas Mariano, de 28, Georginho de Paula, de 26, e Bruno Caboclo, também de 26, são apenas alguns exemplos que se encaixam.

Eles se provaram em âmbito nacional e continental, ganharam terreno na seleção e poderiam fazer um teste na Europa ou em países de outros continentes, como Austrália, para melhorar o jogo e ganhar mais “cancha”. Grande parte dessas ligas são superiores tecnicamente ao NBB/Champions League Américas e proporcionam novos desafios aos jogadores.

Muito se falou nas últimas semanas de NBA, especialmente por conta da Summer League. Mas o fato é que, geralmente, “povoar” ligas fortes ao redor do mundo pode ser mais negócio do que ter vários jogadores na NBA que não conseguem minutagem considerável nem um papel de destaque, mesmo que momentâneo.

Um exemplo, mesmo que esdrúxulo, é do único time campeão olímpico fora os Estados Unidos a partir de 1992: a Argentina. Dos 12 jogadores selecionados pelo técnico argentino Rubén Magnano, somente o ala Manu Ginóbili atuava em uma equipe da NBA – pelo San Antonio Spurs.

Reitero que vale muito o teste por parte de atletas como Yago, já consagrados em âmbito nacional. Caso as coisas não aconteçam como esperado, ele tem no Brasil um local certo para tentar retomar o rendimento em alto nível. Ponto para ele e para nosso basquete.