Após venda confirmada, Lakers vive cenário de incerteza na NBA

Depois de uma temporada marcada por altos e baixos, na qual o Los Angeles Lakers contratou Luka Doncic mas acabou eliminado na primeira rodada dos playoffs, o futuro da franquia parece mais incerto — e promissor — do que nunca.

Além das questões em quadra, uma reviravolta fora dela pegou o mundo da NBA de surpresa: a família Buss, que comanda a equipe desde 1979, concordou em vender uma participação majoritária do time ao bilionário Mark Walter, em uma negociação avaliada em 10 bilhões de dólares (R$ 54,7 bilhões). Jeanie Buss continuará como responsável pelas operações no curto prazo, mas é evidente que uma nova era está começando em Los Angeles.

As dúvidas em quadra

O Lakers agora se vê obrigado a reformular um elenco com lacunas evidentes. A principal delas está no garrafão: depois de um acordo frustrado para adquirir Mark Williams, do Charlotte Hornets, e a perda de confiança no pivô Jaxson Hayes durante os playoffs, encontrar um novo titular para atuar ao lado de Doncic virou prioridade.

Além disso, questões pairam sobre o futuro de LeBron James. Aos 40 anos e prestes a entrar em sua 23ª temporada, ele deve exercer sua opção de jogador no valor de US$ 52,6 milhões, segundo fontes da ESPN. Ainda assim, há dúvidas sobre sua durabilidade e impacto em uma equipe que também depende de Austin Reaves e Doncic — dois jogadores que, embora talentosos, apresentam sobreposição ofensiva e fragilidades defensivas.

Na temporada regular, os Lakers venceram 50 jogos e terminaram em terceiro lugar no Oeste, mesmo com Doncic chegando no meio da campanha, ainda lidando com uma lesão na panturrilha. Apesar do bom encaixe com LeBron e Reaves, o time foi eliminado pelo Minnesota Timberwolves, sexto colocado, o que expôs novamente os problemas estruturais da equipe.

Mercado e movimentações

Em sua entrevista pós-eliminação, o gerente geral Rob Pelinka adiantou que o verão seria movimentado: “Há muitas organizações agressivas buscando vencer agora. Acredito que teremos boas oportunidades para explorar.”

Ele estava certo. Trocas de peso já agitaram o mercado, como Kevin Durant indo para o Houston Rockets, Jrue Holiday sendo enviado para o Portland Trail Blazers e CJ McCollum trocado para o Washington Wizards. Por outro lado, os Lakers seguem discretos — mas conectados a possíveis negócios.

Um dos alvos foi novamente Mark Williams, que acabou negociado com o Phoenix Suns por um pacote semelhante ao que os Lakers haviam oferecido meses antes. A franquia também tem sido ligada a Walker Kessler (Jazz) e Andrew Wiggins (Heat), embora representantes de Reaves e Gabe Vincent ainda não tenham sido contatados, o que pode indicar que eventuais trocas estão longe de ser finalizadas.

Entre os pivôs monitorados por Los Angeles estão nomes como:

  • Walker Kessler (Utah Jazz): jovem de 23 anos, teve médias de 11,1 pontos, 12,2 rebotes e 2,4 tocos. Seu contrato acessível e compatível com o cronograma de Doncic agrada.
  • Onyeka Okongwu (Atlanta Hawks): consultado na temporada passada.
  • Nic Claxton (Brooklyn Nets) e Robert Williams III (Trail Blazers): opções estudadas internamente.
  • Veteranos como Clint Capela, Al Horford e Brook Lopez também estão no radar.

Limitações e recursos

O espaço para reforçar o elenco é limitado. Com James permanecendo, os Lakers devem dispor apenas da mid-level exception para contribuintes, de US$ 5,7 milhões. No draft, sem escolha de primeira rodada (cedida em 2019 no acordo por Anthony Davis), a equipe foi ativa nas trocas: subiu da 55ª para a 45ª posição, e depois da 45ª para a 36ª, para selecionar Adou Thiero, ala de 2,03 m do Arkansas, comparado ao perfil defensivo de OG Anunoby.

Ativos valiosos para negociações incluem:

  • Dalton Knecht
  • Escolha de primeira rodada de 2031
  • Contratos expirantes de Rui Hachimura (US$ 18,3M), Gabe Vincent (US$ 11,5M) e Maxi Kleber (US$ 11M)

Pelinka também reforçou sua confiança no trio principal da equipe: “Acreditamos muito em Austin Reaves, LeBron James e Luka Doncic. Esses três têm um potencial incrível juntos. Nosso trabalho é cercá-los com as peças certas para alcançar o sucesso.”

Um futuro em transição

Com a agência livre prestes a começar e os rivais se reforçando, os Lakers enfrentam uma encruzilhada: reconstruir em torno de Doncic e LeBron com recursos limitados, enquanto se adaptam à nova gestão de Mark Walter. A transformação já começou — resta saber se será o suficiente para recolocar a franquia entre as verdadeiras candidatas ao título.