Em virtude de um jogador, saída de Jayson Tatum do Boston Celtics vem à tona

Em 2017, o Boston Celtics tomou duas decisões que moldariam seu futuro — embora de forma inesperada. Com a terceira escolha do Draft, a equipe selecionou Jayson Tatum, um talentoso ala vindo de Duke. Pouco depois, na free agency, fechou um contrato lucrativo com Gordon Hayward, ala-pivô que chegava após uma temporada All-Star pelo Utah Jazz e em plena ascensão na carreira.

A expectativa era que Hayward assumisse o papel de titular e protagonista ofensivo, enquanto Tatum, ainda um novato, fosse integrado gradualmente. No entanto, tudo mudou de forma drástica na estreia da temporada.

Hayward sofreu uma grave lesão na perna apenas cinco minutos após entrar em quadra com a camisa dos Celtics. O incidente alterou imediatamente a hierarquia do elenco e abriu espaço para que Tatum brilhasse logo de início, conduzindo o time às finais da Conferência Leste como calouro.

Anos depois, em entrevista à FanDuel TV, Hayward falou sobre a relação com Tatum e revelou que o jovem chegou a considerar deixar o Boston Celtics devido à sobreposição de funções entre eles.

“Naquele momento, eu era All-Star, no auge da minha carreira. Jogávamos na mesma posição. Provavelmente, o técnico Brad Stevens desenharia jogadas para mim, não para JT ou JB. Mas com a minha lesão, ele [Tatum] começou a ter mais oportunidades, e às vezes isso é tudo o que alguém precisa”, disse Hayward.

Mudança no processo de Jayson Tatum com a camisa dos Celtics

A ausência de Hayward acelerou o desenvolvimento de Tatum, que rapidamente ganhou protagonismo. Segundo Hayward, se não tivesse se machucado, Tatum não teria tido tanto tempo com a bola nas mãos naquele início. A prioridade ofensiva seria dele, um veterano já familiarizado com Stevens desde os tempos de universidade em Butler.

Isso levantou incertezas para Tatum: com Hayward, Kyrie Irving e mais tarde Kemba Walker no elenco, havia espaço suficiente para ele se desenvolver plenamente? O conflito nunca se tornou público, mas, como apontado por Hayward, a tensão silenciosa existia — não por razões pessoais, mas por uma disputa natural de espaço e função dentro de um sistema ofensivo limitado.

Felizmente para os Celtics, a adversidade acabou se transformando em oportunidade. Com Hayward fora, Tatum aproveitou cada chance e se tornou o principal nome da franquia. Hoje, é seis vezes All-Star, integrante recorrente do All-NBA First Team e peça-chave na conquista do título da NBA.

Mesmo se recuperando de uma ruptura no tendão de Aquiles sofrida nos playoffs, seu status como pilar do Boston é inquestionável. Ironicamente, o que parecia um dilema de elenco em 2017 acabou sendo o ponto de virada para a ascensão de um dos maiores talentos da atual geração.