Após começo avassalador, Victor Wembanyama tem problema na NBA
Onde quer que vá, Victor Wembanyama carrega uma marcação coletiva. Ele não é vigiado por um só jogador — é vigiado por uma organização inteira. As equipes da NBA sonham em controlar o jogo com marcações duplas e o francês vive isso diariamente.
Esse cerco tem afetado sua relação com a bola. O ótimo início de temporada deu lugar a uma fase de ajustes. As defesas o estudaram, encontraram formas de neutralizá-lo, e o San Antonio Spurs ainda busca respostas para libertar seu principal talento.
Mas o técnico Mitch Johnson quer mais atitude do jovem astro. “Ele precisa exigir a bola — gritar com todos em quadra, inclusive comigo”, afirmou. “Ele vai ficar bem. Nós vamos ficar melhores.”

Um teste de maturidade para o jovem astro
Wembanyama atravessa sua primeira encruzilhada da temporada. Após a derrota por 118 a 116 para os Lakers de Luka Dončić, o francês tenta equilibrar sua personalidade discreta com a mentalidade dominante de uma superestrela.
Durante a pré-temporada, ele atuou em várias posições, priorizando a armação. Mas, com o início da temporada regular, voltou ao papel de pivô e vem enfrentando dificuldades. Os adversários o estudaram, e as defesas mais físicas têm explorado suas fragilidades.
Johnson acredita que Wembanyama precisa se impor mais cedo nas jogadas — chegar ao seu espaço antes, usar o corpo para proteger a bola e forçar os árbitros a reconhecerem o contato. “Ele precisa aprender a jogar como uma estrela”, resume o técnico.
Enquanto Dončić arremessou 27 vezes e marcou 35 pontos, Wembanyama somou 28 pontos em 28 arremessos nos últimos dois jogos. Ainda não é o tipo de jogador que domina a posse de bola ou dita o ritmo de uma partida.
O dilema das superestrelas
Wembanyama tenta entender o equilíbrio entre aceitar o que a defesa oferece e impor seu próprio jogo.
“É mais difícil do que parece”, disse ao The Athletic. “O desafio está em fazer o simples, repetidamente.”
Apesar da pressão, ele mostra maturidade rara para alguém de 21 anos. Sabe o que quer, mas está descobrindo o quão difícil é conseguir. Isso exige sintonia com o sistema de jogo — algo que ainda está em construção.
“Eu nunca vi uma defesa como essa”, reconheceu. “Precisamos nos adaptar coletivamente. Contra o Phoenix, por exemplo, ficamos sem reação em alguns momentos. Estamos aprendendo.”