Toronto Raptors fez aposta de R$ 642 milhões e se deu bem

O Toronto Raptors iniciou a temporada 2025-26 carregando um retrospecto modesto: apenas 55 vitórias somadas nas duas últimas campanhas. Para comparar, o time campeão de 2019 venceu 58 jogos, e, no ano seguinte, conquistou 53 triunfos em 72 partidas.

Essa diferença mostra o tamanho da queda de desempenho da franquia — que, entre 2014 e 2022, esteve no topo da competitividade da NBA. E nada indicava quando esse nível seria retomado tão em breve.

Por isso, causou surpresa ver os Raptors como o time disposto a negociar por Brandon Ingram. O ala perdia espaço no New Orleans Pelicans, caminhava para a free agency e não recebia sinais de uma extensão contratual. Assim, abriu-se a oportunidade para Toronto agir.

Para proteger o investimento, os Raptors rapidamente acertaram com Ingram uma extensão de três anos e US$ 120 milhões (R$ 642 milhões)— mesmo com o jogador afastado por problemas persistentes no tornozelo. Ingram havia disputado apenas 18 partidas na última temporada pelos Pelicans, o que tornava a aposta de Toronto ainda mais arriscada.

Jogada arriscada e de impacto no planejamento da equipe

A operação pressionou ainda mais a folha salarial dos Raptors, já que o time passou a acumular contratos altos com Ingram, Scottie Barnes, Immanuel Quickley e RJ Barrett. A renovação com Jakob Poeltl também ampliou o impacto financeiro.

Naquele momento, ninguém imaginava que tudo isso fazia parte da visão de Masai Ujiri. A saída de Ujiri não ocorreu por discordâncias sobre o projeto técnico ou por ele representar um custo elevado no teto salarial — as partes simplesmente não chegaram a um acordo para sua renovação contratual.

Hoje, porém, Ingram começa a se firmar justamente como a estrela que os Raptors buscavam para dar o próximo passo. Mas será que a equipe tem o necessário para brigar pelo título do Leste?

Como Brandon Ingram está mudando a sorte dos Raptors

Na quarta-feira, buscando fechar a fase de grupos da NBA Cup com 4-0, os Raptors enfrentaram um duelo mais duro do que o previsto contra o Indiana Pacers, que vive um momento complicado. Faltando menos de 10 segundos, o placar estava empatado em 95 pontos. Barnes e Quickley — dois grandes talentos do elenco — estavam em quadra.

Ainda assim, Quickley abriu mão da jogada final e entregou a bola para Ingram perto da linha central, permitindo que ele atacasse Pascal Siakam no mano a mano. Ingram esperou o instante certo e, com calma quase provocativa, partiu para a jogada, estancou no meio da quadra e converteu seu clássico arremesso de média distância, selando o 97 a 95.

A jogada mostrou algo importante. Quickley poderia ter decidido por conta própria. Barnes, dono do contrato supermáximo, poderia ter pedido a bola no garrafão, atraído marcação e criado uma oportunidade. Mas a primeira reação do time foi clara: colocar a bola nas mãos de Ingram e confiar.

Barnes confirmou essa tendência ao revelar parte do plano de jogo: “dar a bola para Ingram e sair do caminho”.

Ingram é justamente o tipo de ala criador de elite que times candidatos ao título precisam. Ele pontua em todas as três faixas da quadra e rende melhor quando está cercado por um elenco capaz de compensar suas deficiências. A série de playoffs de 2024 entre Pelicans e Oklahoma City Thunder escancarou essas fragilidades.

Se precisar ser o principal jogador de uma equipe, Ingram pode sofrer. Luguentz Dort o neutralizou completamente naquela série, e, sem outros criadores de jogadas além de Ingram e CJ McCollum, os Pelicans ficaram sem alternativas. O ala terminou com médias de apenas 14,3 pontos e 34,5% de aproveitamento nos arremessos.

Agora, em Toronto, com apoio e função bem definidas, Ingram finalmente parece ter encontrado o ambiente ideal para elevar o teto competitivo dos Raptors.