Time de basquete na França encaminhou mais um brasileiro para NBA
Tanto o Portland Trail Blazers quanto o Memphis Grizzlies enfrentam uma temporada difícil. Quando se encontrarem em 7 de dezembro, o duelo pode não chamar muito a atenção nos Estados Unidos — mas, em Paris, certamente atrairá olhares atentos.
Isso porque o Paris Basketball, campeão francês na última temporada e vencedor de um título europeu em 2024, tornou-se uma espécie de celeiro de talentos para a NBA. A liga reconheceu o trabalho do clube e, hoje, os dois treinadores responsáveis por parte desse sucesso estão à beira da quadra comandando franquias da NBA.
Tuomas Iisalo, atual técnico do Grizzlies, e Tiago Splitter, treinador do Trail Blazers, passaram por Paris, onde fortaleceram seus currículos. Ambos chegaram à NBA inicialmente como assistentes, antes de serem promovidos ao cargo de treinador principal.
Splitter é mais um brasileiro na maior liga de basquete do mundo
Iisalo foi o responsável por levar o Paris Basketball ao título da EuroCup em 2024, com um índice ofensivo recorde de 128,5 na competição. Splitter, que assumiu o time após a saída de Iisalo, fez história ao conquistar o Campeonato Francês e a Copa da França em sua única temporada, além de guiar a equipe aos playoffs da Euroliga — algo inédito para um clube francês.

“Os dois são treinadores excepcionais e líderes naturais”, disse Julius Thomas, assistente do Paris Basketball que trabalhou com ambos, em entrevista ao portal The Athletic. “Pelo que conheço deles, não é nenhuma surpresa que tenham chegado à NBA.”
Mas como um clube fundado apenas em 2018 conseguiu formar dois técnicos que hoje comandam franquias da maior liga do mundo? E qual legado eles deixaram na França?
A ascensão do Paris Basketball foi meteórica. Em 2018, o americano David Kahn — ex-presidente de operações do Minnesota Timberwolves — assumiu a equipe, adquirindo os direitos esportivos do modesto Hyères-Toulon e transferindo o time para a capital francesa. Em 2021, o Paris Basketball subiu para a primeira divisão (LNB Elite) e, desde então, passou a disputar também a Euroliga.
Mesmo com a reputação de ter ignorado Stephen Curry duas vezes no Draft de 2009, Kahn construiu em Paris uma cultura sólida, com dirigentes alinhados e visão de longo prazo. Ao lado do gerente geral James Newman e do coproprietário Eric Schwartz, moldou uma estrutura que buscava um basquete rápido e agressivo.
O atual técnico, Francesco Tabellini, explicou ao The Athletic que foi contratado justamente por comandar uma das equipes mais velozes da Europa na temporada anterior.
Iisalo também era adepto desse estilo acelerado. No canal X&O, resumiu sua filosofia de forma direta: “Se você arremessa mais do que o adversário e converte com melhor aproveitamento, vence 100% das vezes.”
Com Iisalo e Splitter, o Paris Basketball se tornou sinônimo de velocidade, transição rápida e intensidade — um estilo que ecoa tendências recentes da NBA. O clube lidera a Euroliga em rebotes ofensivos e roubos de bola, garantindo mais arremessos e, consequentemente, mais tentativas de três pontos do que qualquer outro time.
O assistente Julius Thomas reforça que a cultura do clube foi determinante. “Tudo é construído com base na energia coletiva e em relacionamentos fortes. Isso muitas vezes é subestimado no basquete.”
Nesse ambiente, Iisalo e Splitter prosperaram. Iisalo, conhecido por sua intensidade, chegou até a proibir celulares durante atividades da equipe. Splitter, por outro lado, é descrito como um líder empático, capaz de se conectar profundamente com os jogadores — traço que muitos atribuem à sua formação sob Gregg Popovich no San Antonio Spurs.
Questionado sobre se o estilo parisiense funcionaria na NBA, Tabellini destacou que tudo começa com alinhamento: “Uma franquia precisa de uma visão clara. Jogar rápido exige elenco rápido — e uma estrela que queira jogar assim. Sem isso, o trabalho do técnico fica muito mais difícil.”
Criar essa cultura é justamente o desafio que Iisalo enfrenta no Grizzlies, que começou a temporada com turbulências internas. Ja Morant chegou a criticar indiretamente a comissão técnica e acabou suspenso por uma partida. A missão de Iisalo é recolocar o time nos trilhos e reconstruir a sintonia de um elenco que, há poucos meses, venceu 48 jogos e chegou aos playoffs.
Splitter, por sua vez, enfrenta um cenário diferente em Portland. Assumiu o time após a prisão de Chauncey Billups em meio a uma investigação federal sobre apostas ilegais. Os Blazers vivem um processo de reconstrução, focados no desenvolvimento de jovens como Scoot Henderson, Deni Avdija e Yang Hansen. Ainda assim, Splitter já coleciona vitórias importantes contra equipes como Warriors, Lakers, Nuggets e Thunder.