Com outro transferban, Corinthians perde pontos no Brasileirão? Confirmado
O Corinthians foi condenado a pagar uma indenização de R$ 41,3 milhões ao meia paraguaio Matías Rojas pela rescisão contratual ocorrida no ano passado, motivada por atrasos nos pagamentos de direitos de imagem.
Atualmente jogador do Portland, dos Estados Unidos, Rojas venceu a disputa no CAS (Corte Arbitral do Esporte), e o valor inicial foi corrigido com juros desde a quebra do vínculo, alcançando cerca de R$ 45 milhões.
Antes de chegar à instância máxima da justiça desportiva, o caso já havia sido analisado pela FIFA, que determinou o pagamento ao atleta. O Corinthians recorreu ao CAS, mas teve o recurso negado e acabou condenado a um valor ainda maior.
Corrida para impedir novas medidas
Na tentativa de evitar novas punições, dirigentes alvinegros abriram diálogo direto com o advogado Rafael Botelho, representante de Rojas. O estafe do jogador sinalizou abertura para negociar, mas as tratativas ainda estão em estágio inicial.
Se não houver acordo em até 45 dias, o clube pode sofrer novamente um transfer ban, que o impediria de registrar reforços. Atualmente, o Timão já cumpre punição semelhante por dívida com o Santos Laguna, referente à compra do zagueiro Félix Torres.
O montante estabelecido pelo CAS corresponde ao valor que Rojas receberia até o fim de seu contrato, que iria até junho de 2027. No início de 2024, o Corinthians havia reconhecido uma dívida de cerca de R$ 8 milhões e se comprometido a quitar todo o valor previsto caso novos atrasos acontecessem, o que acabou acontecendo e ampliou a cobrança.
Contratado em meados de 2023, Rojas disputou apenas 30 partidas pelo Corinthians, sem marcar gols. Além deste processo, o clube ainda enfrenta outras duas ações no CAS: uma de US$ 4,33 milhões (R$ 22,7 milhões) ao Talleres, pela chegada de Rodrigo Garro, e outra de € 1,075 milhão (R$ 6,7 milhões) ao Shakhtar Donetsk, pelo empréstimo de Maycon.
Clube pode perder pontos no Brasileirão?
Torcedores do Corinthians levantaram a hipótese de o clube sofrer punição da Fifa com a perda de pontos no Campeonato Brasileiro devido ao acúmulo de condenações recentes. Mas existe, de fato, esse risco? Para esclarecer, o portal ge ouviu recentemente especialistas em direito esportivo.
O advogado Cristiano Caús, sócio da CCLA Advogados, explicou que há uma ordem de gravidade nas sanções:
“Primeiro vem o transfer ban, aplicado por períodos de inscrição. No caso do Corinthians, a Fifa determinou a proibição de registrar novos jogadores por três janelas consecutivas. Se o clube continuar inadimplente, aí sim pode ocorrer a perda de pontos. Mas não é o acúmulo de condenações que leva automaticamente a essa punição” — afirmou.
Já o advogado Higor Maffei Bellini, mestre em Direito Desportivo, aponta outro cenário possível:
“Um credor pode informar à Fifa que o Corinthians já está com transfer bans em vigor e continua sem pagar. Nesse caso, pediria a aplicação da perda de pontos, que não é automática. O clube teria um prazo para quitar a dívida antes da sanção.”
Segundo Bellini, em situações mais graves a entidade pode até determinar o rebaixamento, mas essa seria a última etapa de uma escala de punições:
“Primeiro o transfer ban, depois a perda de pontos. Para o rebaixamento, além da reincidência, o credor precisa solicitar a medida. Não é algo imposto de ofício. Quero deixar claro que não acredito que o Corinthians chegue a esse ponto. Alguma solução deve ser encontrada para pagar a dívida” — completou.
Embora rara, a perda de pontos já foi aplicada no Brasil: em 2020, o Cruzeiro perdeu seis pontos na Série B por causa de uma dívida.
No caso do débito com o Santos Laguna, o Corinthians ainda tem duas janelas de transferências para resolver a pendência, que já passa de R$ 40 milhões, antes de sofrer sanções mais severas. Já a condenação referente a Matías Rojas prevê transfer ban por três janelas a partir da próxima.
Atualmente, o clube também aguarda decisão do CAS (Corte Arbitral do Esporte) sobre três processos nos quais já foi condenado pela Fifa:
- US$ 4,33 milhões (R$ 22,7 milhões) ao Talleres, da Argentina, pela contratação de Rodrigo Garro;
- € 1,075 milhão (R$ 6,7 milhões) ao Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, pelo empréstimo de Maycon;
- Cerca de R$ 10 milhões ao Philadelphia Union, dos Estados Unidos, pela chegada do volante José Martínez.