Ex-árbitro revela quanto recebia de apostadores para marcar pênaltis no Brasileirão

O ex-árbitro Edilson Pereira de Carvalho foi o protagonista da Máfia do Apito, escândalo que se revelou ao público no Brasileirão de 2005 e abriu um precedente preocupante no futebol brasileiro. O envolvimento do profissional resultou em sua exclusão do esporte.

Na época, o juiz passou a vender resultados para receber dinheiro de terceiros. Em depoimento à Polícia Federal, ele admite que manipulou resultados dentro de campo com o intuito de receber comissões em dinheiro. A questão foi revelada ao canal Cartolouco.

“Eu queria estar do outro lado. Ser lembrado pelo árbitro que eu fui. Tinha mais de 80 fitas [sobre futebol]. Amarrei tudo num lençol, dei um nó, peguei no quintal e meti gasolina. Hoje me arrependo muito de ter feito isso”, diz o árbitro, arrependido.

Edilson fazia parte do quadro de profissionais da Fifa em sua época. Ele era conhecido pela cara fechada e pelo deboche sobre os jogadores. Além disso, tinha o costume de discutir com os atletas durante as partidas, sempre mostrando uma postura contundente.

Ex-árbitro revela o valor da manipulação no Brasileirão

Na época da manipulação de resultados, Edilson teve 11 partidas anuladas. Ele admite que apenas o duelo entre Vasco e Figueirense foram realmente manipulados. Em outras situações, como em Corinthians e Guarani, não houve interferência.

Mesmo assim, ele continuou recebendo dinheiro de forma ilegal. Ao todo, foram aproximadamente R$ 70 mil recebidos para manipular resultados no Brasileirão. O ex-árbitro, por sua vez, afirma que se arrepende dos atos e que já pensou em tomar uma decisão definitiva.

“Eu já pensei em fazer besteira”, disse Edilson. “Três vezes coloquei o revólver no meu ouvido. Graças a Deus que eu não fiz isso. Eu sofri demais durante 5 anos”, afirma Edilson.