Premiação ganha pelo Auckland no Mundial será dividida entre os jogadores?

O Auckland City, clube semiprofissional da Oceania, embarca de volta para a Nova Zelândia nesta quinta-feira após ser eliminado na fase de grupos da Copa do Mundo de Clubes. Mesmo com as duras derrotas para Bayern de Munique (10 a 0) e Benfica (6 a 0), os “Navy Blues” encerraram sua participação com um empate histórico contra o Boca Juniors.

Com a igualdade no placar diante dos argentinos, o clube leva para casa uma premiação total de US$ 4,58 milhões (cerca de R$ 26,6 milhões). No entanto, o valor que de fato entrará nos cofres do clube ainda é incerto e alvo de disputas internas no país.

Algum valor vai para as mãos dos atletas?

De acordo com a política da Fifa, o valor pago aos clubes varia de acordo com o continente representado. Como representante da Oceania, o Auckland City garantiu US$ 3,58 milhões apenas por participar do torneio. Além disso, recebeu um bônus de US$ 1 milhão pelo empate em 1 a 1 com o Boca Juniors, considerado um feito histórico pelo clube.

Assim como acontece em clubes brasileiros, uma parte desse valor será destinada aos jogadores e à comissão técnica. No caso do Auckland, esse bônus tem peso ainda maior: o elenco é formado por atletas que dividem a rotina do futebol com outras ocupações — há estudantes, professores, vendedores e outros profissionais. Muitos precisaram tirar férias ou abrir mão de dias de trabalho para competir no Mundial.

Apesar da quantia milionária, fontes ouvidas pelo portal ge revelam que a expectativa dentro do clube é de que o valor repassado efetivamente ao Auckland — e aos jogadores — seja bem menor. Isso porque parte do montante será dividido com outros clubes da Nova Zelândia, como já ocorre em competições internacionais da Oceania. Esse tipo de partilha é comum e foi previamente acordado com a criação da Copa do Mundo de Clubes.

No entanto, o principal impasse envolve a reivindicação da New Zealand Football (a federação nacional) e da Confederação de Futebol da Oceania, que também querem uma fatia do valor pago ao Auckland. A disputa está na mesa, e dirigentes do clube desejam garantir uma maior parte dos recursos, tanto para reforçar a estrutura quanto para reconhecer o esforço dos atletas com uma bonificação justa.

Jogadores ainda aguardam definição

Após o empate com o Boca, o goleiro Sebastián Ciganda comentou a divisão do prêmio em entrevista à DSports: “Vamos dividir o dinheiro entre o grupo e a comissão técnica. O dinheiro é importante, mas o que vale agora é comemorar. Empatar com o Boca não é algo que acontece todos os dias.”

Realidade semiprofissional

A liga da Nova Zelândia é considerada semiprofissional, assim como em outros países da Confederação de Futebol da Oceania. No país, apenas dois clubes são profissionais: o Auckland FC (não confundir com o City) e o Wellington Phoenix, que disputa o Campeonato Australiano.

Desde sua fundação em 2004, o Auckland City se consolidou como a principal força da região. Soma 10 títulos da liga nacional e 13 da Liga dos Campeões da Oceania.

No Mundial, o clube ficou na lanterna do Grupo C, com apenas um ponto. Foi goleado por Bayern e Benfica antes de arrancar o empate contra o Boca Juniors, com gol marcado por Gray.