Torcida de multicampeão cobra saída do dono após rebaixamento decretado

A Direção Nacional de Controle e Gestão (DNCG), órgão fiscalizador da liga francesa, determinou na última terça-feira (24) o rebaixamento do Lyon para a segunda divisão, devido à grave situação financeira do clube. A decisão ocorre após a proibição de reforços na janela de transferências de janeiro. O clube, no entanto, anunciou que recorrerá da punição.

Apesar da medida ainda não ser definitiva, torcedores organizados — especialmente o grupo Bad Gones — saíram às ruas exigindo a saída do presidente John Textor. Faixas com críticas surgiram por diversos pontos da cidade, demonstrando a insatisfação da torcida.

Alerta já havia acontecido no final do ano passado

Em novembro de 2024, a DNCG já havia alertado que o Lyon seria rebaixado se não sanasse suas pendências financeiras até junho de 2025. Textor, entretanto, garantiu várias vezes que esse cenário não se concretizaria.

Na coletiva em 16 de novembro, ele apresentou um plano que envolvia três frentes: ampliação de receitas pela venda de atletas vinculados à Eagle Football Group (que inclui o Botafogo), abertura de capital nos Estados Unidos e alienação de sua participação no Crystal Palace.

Nenhuma dessas ações foi totalmente concluída até agora. A oferta de ações ainda não ocorreu, embora Textor tenha efetivado a venda de sua fatia no Crystal Palace, no último domingo, para Woody Johnson, proprietário do New York Jets, em transação avaliada em £190 milhões (R$ 1,4 bilhão).

Apesar da venda, a DNCG não reconhece a ideia de caixa único do grupo. O Lyon realizou algumas negociações no último ano, mas com valores menores: Caqueret foi vendido por €15 milhões ao Como, e Cherki foi negociado por €36,5 milhões (mais €6 milhões em bônus) com o Manchester City.

Embora tenha terminado em sexto lugar no Campeonato Francês — garantindo vaga na Liga Europa —, o principal objetivo era classificação para a Champions League, que não foi alcançado. A participação na elite europeia era considerada essencial para equilibrar as contas.

Em março, a Eagle Football Group divulgou um prejuízo líquido de €117 milhões (aproximadamente R$ 723 milhões). A DNCG, então, exigiu garantias de pelo menos €100 milhões para validar a participação do clube na próxima temporada.

Na terça-feira, Textor foi convocado novamente ao órgão e defendeu a aplicação dos recursos oriundos da venda do Crystal Palace na quitação de dívidas e no atendimento às exigências da UEFA. Logo após a decisão, no entanto, a DNCG confirmou o rebaixamento.

O Lyon agora recorrerá da decisão, deixando a decisão final nas mãos da instância máxima, mas a tensão entre clube, direção e torcida segue crescendo.