Vestiu a camisa do Corinthians e agora será fiscal de pista no GP São Paulo de F1
Muitos ex-jogadores de futebol tomam rumos após a aposentadoria que dificilmente poderíamos imaginar. E esse é exatamente o caso de um ex-atleta que vestiu a camisa de grandes clubes como Corinthians e São Paulo. O antigo jogador se prepara pra atuar como fiscal de pista no GP São Paulo da Fórmula 1.
Esse é o caso de Paulo Jamelli, de 51 anos, ex-atacante de São Paulo, Santos, Corinthians, Zaragoza, Kashiwa Reysol e Atlético-MG. Desde 2010, ele assume o papel de “marshall” (fiscal de pista) em Interlagos, movido por uma antiga paixão pelo automobilismo.
“Esse é meu 15º ano, faço desde 2010. Quando era moleque, eu sonhava em ser jogador de futebol, piloto de Fórmula 1 ou bombeiro. No resgate, a gente é meio bombeiro — e jogador eu consegui ser. Sempre fui apaixonado por automobilismo. Nos anos 1980 e 1990, via o Nelson Piquet, o Maurício Gugelmin, e depois o Ayrton Senna.” – disse o ex-atleta em entrevista ao ge.

Ex-jogador com passagem pela Seleção Brasileira
Jamelli, que chegou a defender a Seleção Brasileira em seis partidas, tornou-se líder de posto no quarto ano como fiscal, aumentando sua responsabilidade na coordenação das ações com carros e equipes durante o evento.
“No quarto ano, já virei líder. É uma Disneylândia com muita responsabilidade, porque estamos cuidando de um evento do tamanho da Fórmula 1, com vidas em jogo. A prioridade é sempre a segurança. A torre só autoriza entrar na pista, rebocar um carro ou remover detritos em bandeira vermelha ou amarela com safety car. Aqui no Brasil, temos um time excelente. Já ganhamos vários prêmios de melhor equipe de resgate do calendário”, destacou.
Jamelli acredita que sua experiência como jogador profissional o ajuda no trabalho como marshall, especialmente no controle emocional em situações de tensão.
“Se eu tivesse vivido isso antes de jogar futebol, teria levado muita coisa pro campo, principalmente a calma e o trabalho em equipe. Somos os olhos e as mãos do diretor de prova. Ele precisa confiar na gente. E olha, já bati pênalti em final no Maracanã lotado — não vou ficar nervoso com um acidente. Brinco com o pessoal e tento deixar o clima leve, mas sei o peso da função. Aprendemos a lidar com o imprevisto, com o momento crítico, e isso é igual no futebol.”
Apesar da paixão, a rotina dos voluntários é dura. São cerca de 120 pessoas na equipe, que treinam de quatro a cinco vezes por ano. As condições são simples: comida básica, água quente e banheiros químicos.