Após questionamento, CBF rasga o contrato do técnico Carlo Ancelotti
Uma das contratações mais badaladas no futebol brasileiro nos últimos anos foi sem dúvida a chegada do técnico italiano Carlo Ancelotti para comandar a Seleção Brasileira, após o fracasso no trabalho de Dorival Júnior. Mas, o que ninguém esperava é que meses após a contratação, a entidade tivesse que rasgar o contrato do ex-técnico do Real Madrid.
Isso tem um motivo, a CBF teve que fazer um novo contrato com Ancelotti. De acordo com informações do jornalista Rodrigo Mattos, em sua coluna no portal UOL, a entidade reformulou os papéis do técnico após a Fifa questionar a inclusão do empresário Diego Fernandes como intermediário. Fernandes não possui credenciamento junto à federação internacional, o que motivou a contestação.
Na prática, Diego participou da negociação para a contratação de Ancelotti a pedido do então presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues. Havia, inclusive, um acordo para o pagamento de uma comissão de 1,2 milhão de euros (cerca de R$ 7,7 milhões).

Em maio, porém, a Fifa enviou uma notificação à CBF questionando formalmente a participação de Fernandes no processo, já que ele não é autorizado a atuar como agente pela entidade. Diante da situação, a CBF respondeu que estava revisando contratos firmados pela gestão anterior e afirmou que nenhum pagamento havia sido efetuado ao empresário.
Assunto já era discutido nos bastidores da CBF
A discussão sobre a necessidade de refazer o contrato de Ancelotti já existia dentro da entidade desde a saída de Ednaldo. Isso porque o acordo original não atendia plenamente às normas estatutárias: o documento contava apenas com as assinaturas do ex-presidente e do diretor de compliance, quando, pelo estatuto, seria necessário também o aval do diretor financeiro.
No início da nova gestão, sob comando de Samir Xaud, a CBF optou por manter o contrato como estava, a fim de evitar atritos ou mal-entendidos com Ancelotti. No entanto, com o alerta da Fifa, a entidade passou a enfrentar um impasse regulatório e decidiu agir: informou oficialmente que não havia realizado nenhum pagamento a Fernandes — o que, segundo fontes próximas ao caso, causou forte irritação no empresário.
Com isso, a CBF finalmente decidiu alterar formalmente o contrato. O nome de Diego Fernandes foi retirado do documento, que passou a contar com todas as assinaturas exigidas pelo estatuto.
O técnico Carlo Ancelotti já assinou o novo contrato e não apresentou qualquer objeção. As condições acordadas anteriormente foram mantidas: o vínculo prevê pagamento de 10 milhões de euros por um ano, até o fim da Copa do Mundo de 2026.